terça-feira, 2 de dezembro de 2008

BENDITA MANHA AQUELA!


Há muito tempo eu não escrevo aqui.

Mas há muito que quero escrever algo que aprendi com Giovanna (como vocês já devem saber, é ela quem me ensina aqui).

Houve um dia, logo no início, de muito choro.

O choro, aliás, é algo com que temos mesmo que nos acostumar. Pense, por exemplo, que essa é a única forma de comunicação que um bebê tem. E ele sabe tão pouco que nem sequer isto ele sabe ainda. Ele chora simplesmente por instinto. Nem sei se quer mesmo alguma coisa de fato. O que poderia querer um bebê de poucos dias? Ele não conhece nada ainda!

Bem, mas, como eu dizia, houve um dia, logo no início, de muito choro, e nós, Rejane e eu, estávamos “entre a cruz e o punhal”. Como o choro é seu único recurso, o bebê pode estar chorando por qualquer coisa. Uma ou mais coisas, inclusive.

Se for fome, ele chora. Se for frio, ele chora. Se for incômodo porque está molhado ou sujo, ele chora. Se for dor (qualquer dor), ele chora. Se for sono, ao invés de simplesmente dormir, ele chora também. Ou seja, tudo.

Assim, concluímos (e veja só que “sábia conclusão”!) que qualquer coisa que o bebê queira ou não queira, ele chora.

Não sou um gênio?

Mas não ria ainda.

Não adianta você perguntar nada pra ele (a gente o faz de bobo que é), ele só vai chorar mesmo.

A única forma de descobrir os motivos entre um choro e outro é tentando descobrir.

(Este post está extremamente didático, não? Minhas afirmações estão mudando a sua vida, né não?!)

Giovanna tinha acabado de mamar. Então não era fome (em alguns casos, poderia ser: se o leite não está saindo o suficiente, por exemplo, etc. Mas não era o nosso caso).

Aí, percebemos que ela estava bem vestida e coberta, e nem tão frio estava. Item 2, então, ok.

Conferimos cocô e xixi: sequinha e limpinha.

Apertamos o ouvidinho para ver se não era dor de ouvido... Não era.

Fizemos algumas massagens para ver se era cólica... Não era.

Tá, tá... Podiam ser outras dores, mas sem aquele discernimento de que falei no outro post, impossível saber.

E já tínhamos orado também.

Neste interregno (eu sabia que este tempo todo trabalhando com advogados ia servir para alguma coisa! Olha essa palavra: interregno. Êita!), íamos nos lembrando de todos os alertas sobre ficarmos atentos para identificarmos qualquer manha de uma criança.

E Giovanna ali, chorando.

“E agora? Pega ou não pega?”

“Olha a manha!”, a gente ia ouvindo “as vozes”.

E Giovanna ali, chorando.

“Pega ou não pega?”

“Olha a manha!”

Acreditem! Vocês vão passar por isto!

Então, eu resolvi pegar.

Eu tinha de fazer alguma coisa. E fiz.

Imediatamente, a “bichinha” parou. I-me-dia-ta-men-te (dividi certo?).

Talvez você conclua daí: “Tá vendo? Era manha!”.

Ok, ok. Eu não culpo você.

Não, eu não queria só que ela parasse de chorar, para aliviar os meus ouvidos, como alguns podem pensar! Eu estava mesmo preocupado.

Apenas julguei que aquele era o discernimento que Deus me dava (e quem vai dizer que não?).

Porque eu também, enquanto segurava Giovanna quieta em meus braços (como se nunca tivera chorado), pensava: “Meu Deus, eu sou mole mesmo! Como eu vou criar a minha filha assim? Ela me passou pra trás! Chorou e conseguiu o que queria! Ela só queria colo... E conseguiu, e conseguiu!”.

Foi quando algo aconteceu.

Enquanto eu pensava essas últimas palavras, algo aconteceu no meu coração.

Lembrem-se: meu esforço aqui no Blogue da Gigio vai ser sempre de contar-lhes algo que eu aprendi, sobretudo, como filho, já que, como disse aqui também, penso que Giovanna não nasceu para eu aprender a ser pai; mas para aprender a ser filho.

E enquanto eu repetia aquelas últimas palavras, “Ela só queria colo, e conseguiu”, eu fiquei pensando em quantas vezes eu já chorei para ter o colo do Meu Pai...

(...)

Nenhuma.

Pelo menos, não me lembro de nenhuma.

Já chorei, muitas vezes, sim, enquanto orava. Mas quantas vezes eu não tive o Seu colo, a Sua presença, e chorei para tê-Los?

Talvez porque, diferentemente de mim, Deus nunca me deixou chorando por Sua presença. Ao contrário, no primeiro sinal meu de busca por Ele, Ele se apresenta imediatamente, porque tem prazer na oração dos Seus filhos.

Giovanna só queria o meu colo...

Sim!

E que mal há nisto?

Pode ser que tenha sido mesmo manha...

Pensem o que for...

Mas como me fez bem!

“Ah, Senhor!”

4 comentários:

Anônimo disse...

Ei Carlinhos, experiência tremenda realmente. Já ouvi de muitos que a experiencia de ser pais nos ensina a ser filhos (quero muito experimentar isso...hihihihi.)
Que o Sr capacite vcs para discernirem os comportamentos da Gigio!
Bjinhus

Anônimo disse...

Amém, minha querida irmã e amiga!

É o que tenho buscado n'Ele.

Aliás, é o que temos buscado.

Nunca pensei que fosse tão difícil ser criança, como Jesus disse!

Um beijo também!

Anônimo disse...

Que bom poder compartilhar de suas experiências, especialmente nessa fase em que estou!
Estou vindo de um curso de gestantes que teve no hospital e coincidentemente ouvi um pediatra dando uma entrevista no rádio e ele falou uma coisa que às vezes nos esquecemos. A criança está vindo de um lugar onde tudo era perfeito, tinha a presença da mãe constantemente lhe "rodeando", a temperatura sempre constante, não tinha que respirar, não tinha que comer...e de repente, está num lugar estranho, tendo que lidar com mudanças de temperatura, tendo que comer, respirar, enfim...É PERFEITAMENTE normal que se sinta insegura. Até ela "entender" mais ou menos o que está acontecendo com ela, vejo o que muitos chamam de manha, como uma real necessidade, assim como a fome, a dor, etc. Claro, temos que buscar do Senhor todo discernimento e sabedoria, mas afinal, o que há demais em dar carinho para seu filho quando este lhe solicita? Deus mesmo nunca nos nega Sua presença, como você disse. E bem no início? Acho que não é manha não.
Que o Senhor continue te conduzindo nessa tarefa incrível e nos dê (eu tb quero né!) a sabedoria necessária para discernir o momento certo de dizer sim ou não. Abração!

Anônimo disse...

Olha, Nanda, se tem uma coisa que eu quero muito é isto: saber de Deus o que fazer.

Não podemos prescindir dos conselhos, não podemos ignorar as experiências, mas, sobretudo, não podemos perder a oportunidade de aprender em Deus.

Que Deus nos ajude, sim!

Um
BHeijo na família!

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